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(...)
"as pinturas sutilmente dramáticas do Balzi de pessoas nas
janelas ou em camarotes da ópera, são tristes comentários
sociais da perda da individualidade na sociedade burocrática
(...)
(...)
Ele transmite sua natural tristeza sem perder nenhum dos valores
colorísticos, plásticos, pictóricos em suas telas. Seus quadros
menores , "Uma janela ", influenciados pelos pintores italianos
da primeira metade deste século, são mais maduros do que as
"múltiplas janelas ". A qualidade da linha em seus desenhos
é forte, segura e surpreendentemente delicada." |
| Sheila
Anne de Barry do Herald Tribune, Paris, 1970 |
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(...)
"Juan José Balzi expõe na galería "El Xot ", uns vinte desenhos
de fino e incisivo traço, resolvidos com um rigor expressionista
inexorável, e que o situam em primeira linha entre os desenhistas
atuais espanhóis e hispano-americanos. A obra gráfica de Balzi
trascende muitíssimo a mera ilustração, para incidir em mais
amplas e profundas ressonancias sociais e humanas (...) |
| Angel
Marsa do Correo Catalán, Barcelona, 1970 |
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(...)
"toda a sua obra é quase um só quadro. A incomunicação do
homem, seu abandono, vive como uma obsessão reiterada em sua
mente de artista: assim sua pintura se expressa sempre desde
a atitude preocupada do homem submetido às suas dúvidas, ao
seu isolamento (...)
(...)
Sorte, para sua pintura - feita desde um expressionismo que
tem uma vertente lírica muito acertada - é a carga de verdade
que contém. Ela é a que a salva de tantas vacuidades a que
nos acostumaram os falsos profetas do protesto. A tragedia
que se consome em suas telas tem muito de símbolo. É graças
a isto que Balzi pode expressar a "solidão do homem", "sua
humilhação" e romper - por acaso o artista não se dá conta
disto - a incomunicação do homem com o homem. Ninguem pode
passar de largo diante de seus quadros; o homem há de deter-se
e meditar sobre eles. O que há de extranho, pois, que as pessoas,
ao contemplarem sua pintura a entendam, se ela está precisamente
dedicada a elas.? Que ha de extranho então que não encontre
casa ou muro onde pendurá-la se a pintura de Balzi reclama
por um museu para que todos a vejam! |
| Francesc
Gali do Diario Femenino, Barcelona, 1974 |
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(...)
Vendo seus quadros do período argentino, Carlo Carrá lhe disse
uma vez: -"Como você se arranjaria para pintar se tivesse
somente treis cores ?". Balzi aceita o desafío e encontra
assim as cores que expressariam a sua depressão: as cores
de Milão. E alí, na capital da Lombaradia, plasmaria aquela
obsessiva série de janelas que, como muitos dizem por aqui,
é a mais clara expressão da desumanização da nossa época (...)
(...)
A diferença entre a pintura de Balzi e a destes jovens expressionistas
é a diferença que há entre uma cor suja e uma cor escura,
entre um panfleto literário e um quadro poético. Uma diferença
tão sutil e perigosa como o fio de uma navalha. Fio pelo qual
Balzi se desliza como um equilibrista, desde Kafka até Poe
e desde o expressionista até o metafísico." |
| Giovanni
Varsi do Istituto Italiano di Cultura de Barcelona,
1976 |
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(...)
"a reformulação da aparência da figura nas suas telas nos
coloca frente a frente com a problemática da posição do ser
humano no seu mundo. É um tema importante nas imagens plásticas
do nosso século, inclusive pela mudança de conceitos de espaço
que caracterizam esta época. |
| Wolfgang
Pfeiffer, diretor do Museu de Arte Contemporânea de
São Paulo, 1982 |
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(...)
O traço marcante da obra desse artista, enfim, pode ser dividido
na firmeza como conduz a técnica liberada de seguir ou perseguir
qualquer tipo de "ismo", assim como na fuga da utilização
indiscriminada de cores. Do que vem resultando um trabalho
em conjunto dos mais sérios e, portanto, merecedor de uma
atenção especial, tanto do público como dos teóricos da arte". |
| Ivo
Zanini, Associação Brasileira de Críticos de Arte,
São Paulo, 1990 |
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(...)
A sua maneira de ver, curiosa, penetrante, dramaticamente
ingenua, parece querer averiguar a atual condição humana
com uma técnica pictórica que repropõe conscientemente os
momentos mais altos da tradição e da modernidade e que,
embora recordando o furor de Goya e a dramaticidade de Bacon,
infunde um toque pessoal de suavidade e de cáustica ironia
ao apresentar os momentos habituais e significativos da
vida quotidiana (...)
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| Prof.
Ivano Marchi, diretor do Istituto Italiano di Cultura,
São Paulo, 1990 |
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(...)
"Juan José Balzi, um dos maiores expressionistas destes últimos
tempos (...) |
| Lenita
Mirando de Figueiredo do Jornal Zona Sul, São
Paulo, 1990 |
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(...)
Todas essas boas escolhas de modelo - que ainda incluem algo
do espanhol Diego Velásquez ( l599-l660 ) - de nada adiantariam
se a soma delas não estivesse no rumo de uma síntese pessoal.
É nesse ponto que a retrospectiva de Balzi revela outra agradável
característica: a contabilidade criativa entre a produção
mais antiga e a recente não provoca nostalgia. Balzi, embora
num tom modesto e despretencioso, está fazendo agora a melhor
parte da sua obra. Algo de causar inveja a muito artista consagrado". |
| Angélica
de Moraes, Revista Veja, São Paulo, 1990 |
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(...)
As raízes estéticas de Balzi encontram-se na arte européia.
A "pequena retrospectiva" de Tübingen (Pachnicke) começa com
uma paisagem bem no estilo de Kandinsky. O italo-argentino
é influenciado pela pintura metafísica de de Chirico e Carrà,
e por Francis Bacon e Gerhard Richter, cujos trabalhos ele
conheceu numa Bienal de Veneza. As pichações de Balzi sobre
fotografias lembram muitas vezes fortemente Arnulf Rainer,
que ele só percebeu, porém, como análogo, mais tarde: "A mensagem
dele é estética, a minha é social (...)"
(...)
desde 1994, existe em São Paulo a oficina "Meninos de Arte"
de Balzi, na qual ele tenta revelar a força criativa de ex-meninos
de rua. Algumas pinturas dos seus alunos são expostas em uma
sala anexa. E esta pintura de rua está começando a ganhar
reputação no circuito das artes. Juan José Balzi sempre diz
a seus alunos: "Pintor não é aquele que sabe pintar, é aquele
que sabe olhar". E não por último, os meninos devem aprender
a atacar e mudar a realidade miserável, em que vivem, com
a arma da arte (...).
(...)
A exposição será inaugurada hoje a noite
pela prefeita Gabriele Steffen e com um discurso da consulesa
do Brasil em Munique, Dinah Flusser. No próximo fim
de semana havera uma oficina gratuita com Juan Balzi, promovida
pela Universidade no seu Instituto de Desenho. |
| Martin
Bernklau, Schwabisches Tagblatt, Tübingen, 1998 |
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